ESCUTAS TELEFÔNICAS PÕEM EM DÚVIDA TÍTULO DA BEIJA-FLOR.
Escutas telefônicas realizadas pela Operação Hurricane (furacão, em inglês) colocam em dúvida o título da campeã do carnaval do Rio deste ano, a Beija-Flor de Nilópolis. Durante entrevista ontem ao programa Fantástico, da Rede Globo, o delegado federal Emanuel Henrique Oliveira, que faz parte da operação, afirmou que há fortes indícios de que o dinheiro da contravenção tenha comprado o resultado do carnaval carioca. Nos últimos cinco anos, a escola ganhou quatro vezes.
Segundo o delegado, o título do carnaval deste ano pode ter sido comprado por Anísio Abraão David, patrono da Beija-Flor preso durante a operação da Polícia Federal. “Há fortes indícios de que esse resultado tenha sido manipulado pelo senhor Anísio”, afirmou Oliveira.
Durante o programa, a Rede Globo exibiu imagens exclusivas divulgadas pela Polícia Federal que mostram o escritório de Júlio Guimarães, sobrinho do presidente da Liga das Escolas de Samba do Rio, Aílton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães, onde os agentes encontraram malotes de dinheiro, cerca de R$ 10 milhões, em uma parede com fundo falso. Para chegar à quantia, os agentes da PF quebraram a marretadas a parede que desconfiaram ser falsa. O capitão Guimarães é um dos detidos na Hurricane.
A Operação
A Operação Hurricane realizou 25 prisões nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e no Distrito Federal e ocorreu após um ano de investigações, ordenadas em uma operação sigilosa pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) César Peluzzo.
A operação tem como objetivo desarticular uma organização criminosa que atuava na exploração do jogo ilegal e cometia crimes contra a administração pública. Foram cumpridos 70 mandados de busca e apreensão e 25 mandados de prisão contra chefes de grupos ligados a jogos ilegais, empresários, advogados, policiais civis e federais, magistrados e um membro do Ministério Público Federal.
A investigação começou há um ano na 6ª Vara Federal do Rio, com a juíza Ana Paula Vieira de Carvalho e, em setembro de 2006, foi remetida pelo procurador geral da República, Antônio Fernando de Souza, para o Supremo Tribunal Federal, devido ao surgimento do nome do ministro do Supremo Tribunal de Justiça Paulo Medina.
A partir de então, o inquérito 2.424/2006 passou a ser presidido pelo ministro do STF Cézar Peluso. Ele autorizou a instalação de escuta, inclusive no gabinete de Carreira Alvim, cujos microfones foram descobertos no forro do teto. Alvim, que disputava a presidência do TRF, acusou na época a direção do Tribunal pelos grampos. Na eleição, ele foi derrotado por 15 votos a nove
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