Palmeiras e Santos decidem o Paulista de 2015. Dois jogos entre os ‘derrubadores de Ibope’. E que a Globo escondeu o máximo que pôde de suas transmissões. Agora, será obrigada a mostrar…
"Não sei se vai ser nesse domingo o filme dos Três Porquinhos e no outro o do Netuno, o rei dos mares."
Foi assim que Modesto Roma Júnior resumiu a atenção que a Globo reserva para as finais do Campeonato Paulista entre o seu Santos e o Palmeiras. O presidente ironizava sobre o que aconteceu há dois domingos. Quando seu time disputava uma vaga para as semifinais contra o XV de Piracicaba. Ele sabeia que havia sido assim durante todo o torneio. E será assim no restante do ano. Como também, os palmeirenses terão o mesmo tratamento. Serão a terceira opção a ser mostrada aos paulistas.
Os dados dos executivos globais em relação ao Palmeiras levam em conta os últimos anos, quando chegou a ser rebaixado duas vezes. Não os de 2015, que são bons. Mas o rótulo de 'derrubador de Ibope' já estava tatuado na camisa verde.
Há duas semanas, a emissora que monopoliza o futebol no país preferiu mostrar o Espetacular Homem-Aranha do que santistas e piracicabanos. O Santos desde que vendeu Neymar é um reconhecido 'derrubador de Ibope' pelos executivos globais. Assim como os palmeirenses. O barulho da justa revolta dos torcedores nas mídias sociais foi alto demais. Obrigou a emissora a alegar que, por contrato com a FPF só poderia mostrar um jogo por fim de semana. E mostrou, no sábado, Corinthians e Ponte Preta.
Modesto Roma sabe que isso é balela. A Globo é parceira da FPF tanto quanto é da CBF. Se quisesse, mostraria o jogo sem problema algum. Marco Polo del Nero, que comanda as duas instituições, desejava maior publicidade possível no estadual.
O futebol, a bola rolando contrario a emissora carioca. A final do Campeonato Paulista de 2015 reúne as duas piores equipes no Ibope. Santos e Palmeiras. Este ano a Globo só mostrou uma partida do time da Vila Belmiro. Uma só. Justo o clássico contra os palmeirenses. Já o time de Paulo Nobre apenas teve direito a quatro jogos de exposição.
O Corinthians, campeão de audiência, já mostrou seus patrocinadores em 16 partidas na Globo. O São Paulo foi mostrado em 12 jogos, três vezes mais do que o Palmeiras. E 12 do que os santistas. O Danúbio do Uruguai acabou sendo mostrado três vezes este ano.
Com o Corinthians e São Paulo classificados para os mata-matas da Libertadores e as sensacionais semifinais da Champions League, entre Barcelona e Bayern e Juventus e Real Madrid, as finais do Paulista ganham na emissora carioca a mesma atenção que o desenho dos Três Porquinhos mereceria.
Está claro que não se espera grandes números do Ibope nos dois próximos domingos. A Globo está muito mais interessada em acompanhar o crescente interesse no futebol europeu, de altíssima qualidade. Barcelona e PSG, pelas quartas da Champions, na terça-feira deu excelentes 16 pontos em plena tarde. A perspectiva é agora esses números aumentem de forma significativa nas semifinais.
Enquanto isso, o favorito Corinthians só chegou a 15 pontos contra a Ponte Preta. Na semifinal de domingo, contra o Palmeiras, a audiência chegou nos 24 pontos consolidados, com pico de 32 pontos.
A alegria nos corredores globais acabou com a certeza de que Santos e Palmeiras ficaram para a decisão.
Palmeirenses e santistas dão o troco à emissora. Cada torcida de sua maneira. Na semifinal contra o São Paulo, na Vila Belmiro, a direção de tevê da Sportv,que transmitia o jogo para quem paga, tomou uma decisão. Iria mostrar a feliz torcida do vencedor comemorando. Fixou imagem e abriu o som. Foi um enorme erro. O coro era altíssimo e nítido: "Chupa Globo, o Santos está na final de novo". Além disso, centenas de torcedores levavam e exibiam a singela faixa "Chupa Globo, emissora de Gambá". A alusão é ao Corinthians. Prometem fazer a mesma coisa nos dois clássicos contra o Palmeiras.
Já os palmeirenses usam a Internet para até tentar boicotar, fazer com que a sua torcida não assista a partida na emissora que chamam pelas iniciais, RGT, Rede Globo de Televisão.
Nesse clima de 'fraternidade e amor entre os cidadãos' que o Campeonato Paulista de 2015 está chegando ao final nas telas da tevê aberta. Com a emissora que detém o direito de transmissão mostrando as finais entre os times que não a interessava. Que escondeu durante todo este ano.
Enquanto os diretores de programação globais anseiam pelo mata-mata na Libertadores. Assim como pelas semifinais da Champions League. Ou pelo Campeonato Brasileiro. Até lá são obrigados a mostrar não somente uma, mas duas vezes santistas e palmeirenses duelando. Em dois domingos. A saudade de Corinthians e São Paulo será imensa.
Esta é a relação entre a dona do monopólio do futebol no Brasil e os clubes que não são seus prediletos. E que recebem muito menos do que Corinthians e Flamengo. Quanto menos jogos transmitidos, menos interesse as empresas têm em colocar dinheiro para aparecer em suas camisas. Menos estímulo para novos torcedores. Menos divulgação no Exterior.
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