Certeza da impunidade e ganhos acima de R$ 50 mil motivam assaltante de banco no mundo do crime
ACORDA CIDADE
'Se eu posso ganhar 50 mil, para que trabalhar para ganhar mil?'
Andrea Trindade
Procurado pela Polícia Civil da Bahia e considerado um dos maiores assaltantes de bancos do estado, Jairo Macedo Souza, 27 anos, vive no mundo do crime com um advogado à disposição para garantir que sejam curtas suas estadias nas unidades prisionais por onde passa.
Em entrevista ao repórter Aldo Matos, do programa Acorda Cidade e Nas Ruas e Na Polícia, ambos na Rádio Sociedade de Feira, o acusado de assalto conversou sobre os bastidores da vida de um assaltante de instituições financeiras.
Ele disse que sozinho leva cerca de R$ 50 mil ou mais e investe o dinheiro em imóveis. Apesar do dinheiro, não consegue levar uma vida tranquila. Não pode ficar muito tempo em um lugar e quando perguntam onde está ele sempre mente, por medo de os próprios comparsas o matarem e pegarem o dinheiro. Eles só se encontram na hora da ação.
Já passou pelos presídios de Feira de Santana e Salvador e disse que em menos de oito ou dez meses ganha liberdade. Ele disse que prefere o presídio de Salvador porque a saída é mais rápida e pede transferência ao advogado.
Questionando sobre entrar em confronto com policiais, Jairo disse que se for preciso atira. “Depende do momento. Se der para morrer, não vou morrer; se der para meter mão, meto; se não der, vou me render e vou preso, pago e saio. E se for para meter bala, fazer o quê?”, questionou.
O acusado diz que sempre obtém êxito nos assaltos aos bancos e que estuda para isso. Ele disse também que quando é preso após o roubo paga em média R$ 120 mil reais para o advogado defendê-lo.
Jairo afirma que não tenta fugir do presídio, uma vez que sua estadia é curta e que enquanto fica preso o dinheiro fica na conta. “Não tem necessidade de fugir não, oito meses passam rápido. Para o que eu ganho, oito meses passam rápido.
A prisão
Juliel é acusado de assaltar clínicas em Feira de Santana
Ele foi preso na noite da última segunda-feira (6) após, segundo a polícia, tomar de assalto um veículo Hilux, na localidade Rocinha, no bairro Ponto Central, em Feira de Santana. Ele estava com o morador do conjunto George Américo Juliel Pereira dos Santos, 29 anos, quando praticou a ação e seguiu com o comparsa em direção a Conceição da Feira. Ao chegar a um posto de combustíveis para abastecer o carro, policiais os avistaram e desconfiados realizaram uma abordagem, prendendo-os em flagrante logo em seguida.
Ao tomar conhecimento da prisão da dupla, o delegado André Ribeiro, titular da Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos (DRFR/Feira), enviou uma equipe à cidade para trazê-los para Feira de Santana. Ao chegarem, os policiais descobriram que Jairo, que inicialmente informou um nome falso, é assaltante de banco, e reside em Salvador, no bairro Pirajá.
O comparsa Juliel segundo o delegado, já praticou vários assaltos em clínicas de Feira de Santana. Com eles a polícia apreendeu um revólver calibre 38 e uma pistola calibre 9 milímetros.
ENTREVISTA
Acorda Cidade: Você cumpre quanto tempo para ganhar liberdade?
Jairo: Logo, logo eu boto advogado e estou na rua. Menos de oito meses, dez meses estou na rua. Imediato o advogado desce para Brasília, pede o habeas corpus e sai. Oito meses de cadeia, cinco meses e eu estou na rua de novo.
AC: A única maneira de você ter dinheiro é assaltando, não pode arrumar um emprego?
Jairo: E eu vou ganhar mil reais? Eu podendo ganhar 50 mil toda hora vou ganhar mil reais?
AC: Em um assalto a banco você pode ganhar 50 mil reais? Divide com alguém?
Jairo: 50 mil ou mais. [E esse valor] é só minha parte. Roubar banco para ganhar dez mil, vinte mil reais eu não vou não.Trocar tiro com polícia e tudo para ganhar dez mil, vinte mil? Não vou não.
AC: Se for preciso trocar tiro com a polícia você troca?
Jairo: Não, depende do momento. Se der para morrer, não vou morrer; se der para meter mão, meto; se não der, vou me render e vou preso, pago e saio. Se for para meter bala, fazer o quê?
AC: Você já tem advogado constituído, mas só paga o advogado quando não tem sucesso nesses assaltos a bancos, não é?
Jairo: Tenho advogado. Mas tem sucesso, não dá errado não, nós estudamos para isso.
AC: Paga uma média de quanto a um advogado para ganhar liberdade?
Jairo: 120 mil reais.
AC: E você tem esse dinheiro?
Jairo: Eu consigo.
AC: Em um mês você pratica quantos assaltos a banco quando dá certo?
Jairo: Aí não posso informar.
AC: Vamos dizer que você assalte três bancos em um mês. Cada parte pode render até 50 mil reais?
Jairo: Ou mais. Mas não dá para assaltar três bancos em um mês não.
AC: Dá para viver uma vida tranquila, estar em festas?
Jairo: Nunca, nunca, porque se eu ficar assim até meus parceiros me sequestram, tomam meu dinheiro e me matam. Aí eu tenho que estar sempre sozinho e nunca falar onde eu estou para ninguém.
AC: Ninguém sabe onde você anda?
Jairo: Ninguém sabe. Se eu estou em Salvador, falo que estou em Feira; se estou em Feira, falo que estou em Cruz das Almas, em São Paulo.
AC: Só se encontram na hora de agir?
Jairo: Isso.
AC: E você gasta esse dinheiro do assalto a banco com o quê?
Jairo: Deixo meu advogado pago e casa, terreno [em nome de outras pessoas].
AC: Você vai cumprir pena em Feira de Santana, Conceição da Feira ou Salvador?
Jairo: Vou pedir a meu advogado para me transferir para Salvador. É melhor.
AC: Pelo que observo, você não tem carteira de presídio, cumpre sua pena normal.
Jairo: Não tem necessidade, não, oito meses passam rápido. Para o que eu ganho, oito meses passam rápido.
AC: Enquanto isso, seu dinheiro fica na conta?
Jairo: É.
Fonte: Acorda Cidade
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