Este é o segundo voo de deportados autorizado pelo governo brasileiro; em outubro de 2019 chegou um primeiro, com cerca de 70 pessoas.

Imagem da primeira aeronave que  foi fretada pela agência federal norte-americana responsável por imigração e alfândega com destino ao Brasil, em outubro de 2019 — Foto: Polícia Federal/Divulgação
Imagem da primeira aeronave que foi fretada pela agência federal norte-americana responsável por imigração e
alfândega com destino ao Brasil, em outubro de 2019 — Foto: Polícia Federal/
Divulgação

Este é o segundo voo de deportados autorizado pelo governo brasileiro. 
Em outubro de 2019 chegou também a Belo Horizonte um primeiro voo
com cerca de 70 pessoas. Foi a retomada de uma medida que não era 
aceita pelo Brasil desde 2006, quando o último voo com deportados 
chegou também a Minas Gerais.
Uma fonte que acompanha o assunto explicou que a decisão brasileira foi tomada também 
pela mudança da lei norte-americana, que passou a tratar os imigrantes ilegais pegos na 
fronteira como "inadmitidos" e a mantê-los presos nos campos de imigração até a deportação.
 A não aceitação dos voos faria com que ficassem presos.No entanto, pelas novas regras dos Estados Unidos, a chamada "deportação rápida" não inclui apenas os imigrantes ilegais pegos 
na fronteira, mas qualquer um preso que não consiga provar que morou nos Estados 
Unidos pelos dois anos anteriores, ininterruptamente.
De acordo com outras duas fontes com conhecimento próximo do assunto, houve uma determinação superior aos diplomatas brasileiros para que não se criasse mais 
dificuldades para o envio de deportados por aviões fretados, em uma necessidade de 
aproximação com o governo de Donald Trump.
Até 2018, o governo brasileiro se recusava a aceitar os fretamentos com deportações em
 massa. As únicas exceções, desde 2006, foram dois grupos, um de quatro pessoas e outro
 de três, no final de 2017.
Segundo uma das fontes, em meio a negociações comerciais, o governo Trump aumentou 
a pressão pelas deportações e o Brasil autorizou a volta de cidadãos em casos específicos.

Brasil não aceitava voos fretados com deportados desde 2006

A decisão de não aceitar mais o fretamento de aviões veio em 2006 quando, depois de uma 
CPI que investigou as deportações de brasileiros, o Itamaraty alterou a política de trato de
 brasileiros no exterior, incluindo aqueles acusados de imigração ilegal.
Um diplomata ouvido pela Reuters explica que a decisão de não aceitar mais as deportações
 em massa veio da necessidade de analisar caso a caso e dar aos brasileiros que vivem 
nos Estados Unidos, mesmo ilegalmente, a possibilidade de reverter a decisão de 
deportação --o que muitas vezes acontece quando o cidadão tem filhos norte-americanos, 
uma estrutura familiar montada e às vezes até negócios.
A fonte reconhece que, nos casos atuais, cerca de 95% dos casos são de brasileiros presos 
ao tentar cruzar a fronteira, e que estão em acampamentos do serviço de Alfândega e 
Proteção de Fronteiras dos EUA. Os demais, em sua maioria são casos também já 
considerados "complicados". 
Na madrugada deste sábado (25), chegou em Belo Horizonte um avião fretado pelo governo 
dos Estados Unidos com algumas dezenas de brasileiros. O voo partiu de El Paso, no Texas, e aterrissou no Aeroporto de Confins por volta da meia-noite.
O governo do presidente Jair Bolsonaro tem facilitado a deportação de cidadãos que vivem irregularmente nos Estados Unidos, o que representa uma mudança em relação à política de governos anteriores.
Em resposta a um pedido da Reuters, o Ministério das Relações Exteriores confirmou que o
 Brasil foi notificado a respeito da repatriação de grupo de nacionais brasileiros inadmitidos nos 
EUA.

Por G1 Minas — Belo Horizonte
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