Gaúcha do peso-médio (até 70kg) demonstra a sua famosa entrega na lutas, porém fica pelo caminho ao aplicar técnica proibida no golden score contra Bernadette Graf

Uma irregularidade no Golden score (morte súbita) elimina Maria Portela na luta contra a austríaca Bernadette Graf. Arbitragem considera irregularidade em entrada de golpe da judoca brasileira e aplica punição. Valia vaga para as quartas de final da categoria até 70kg para mulheres. Maria Portela deixa o tatame aos prantos. 
O apelido de Maria Portela é Raçudinha. A judoca do peso-médio (até 70kg) é conhecida por sua enorme entrega dentro do tatame e fez jus à fama na Arena Carioca 2. Foi na raça que a gaúcha venceu na manhã desta quarta-feira a sua estreia na Rio 2016 contra a marroquina  Assmaa Nianag, no golden score, e avançou à oitavas de final do peso-médio (até 70kg). A próxima missão, porém, era muito mais dura. E a judoca de 28 anos, a número 14 do ranking, não conseguiu compensar na vontade a sua menor estatura e a inferioridade técnica diante da austríaca Bernadette Graf, número 4 do mundo. Maria levou a luta para mais um golden score, mas acabou sendo desclassificada por dar um golpe irregular. Ela tentou projetar a rival sem pegar no quimono da europeia. Incrédula com o seu vacilo, Portela chorou muito ao deixar o dojô.
Maria Portela judô (Foto: Reuters/Toru Hanai)Chorando, Maria Portela é abraçada pela austríaca Graf após ser desclassificada (Foto: Reuters/Toru Hanai)
O Brasil ainda contava com Tiago Camilo, do peso-médio masculino (até 90kg). Dono de duas medalhas olímpicas, o paulista passou com um ippon pelo sul-africano Zack Piontek na estreia, mas foi derrotado por Mammadali Mehdiyev, do Azerbaijão, nas oitavas de final, e deu adeus aos Jogos Olímpicos do Rio.

Nos quatros dias do judô já encerrados até aqui na Rio 2016, o Brasil conquistou o ouro com Rafaela Silva, mas frustrou as expectativas que tinha de medalha com Sarah Menezes (até 48kg), Érika Miranda (até 52kg) e Victor Penalber (até 81kg). Na terça-feira, o medalhista de bronze no Mundial do ano passado, o carioca decepcionou nesta terça-feira, ao cair nas oitavas de final. Mariana Silva surpreendeu no até 63kg e acabou em quinto.
A VITÓRIA NA ESTREIA
A luta começou bastante truncada. Mais baixa que a marroquina, Maria enfrentava dificuldade para encaixar a sua pegada. O jeito era se movimentar bastante para tentar driblar a oponente. A gaúcha fez o que era para feito e começou a dominar a luta. Mas não conseguia entrar golpe.

Foram passando os minutos e o que se via era a mesma disputa incessante pela pegada. Como as duas lutadoras não entravam com as técnicas, as punições foram se sucedendo. Foram duas para cada luta. O combate só tinha um caminho natural: o golden score.
No desempate, quem forçasse uma penalização da adversária ou projetasse a rival estaria classificada para as oitavas de final. Aí pesou a raça de Portela. Com 29 segundos de golden score, ela encaixou um seoi nague, técnica mais famosa de braço, e derrubou a africana, que caiu de lado. Era yuko para Maria. Era vitória do Brasil.
Maria Portela judô (Foto: Marcio Rodrigues/MPIX/CBJ)Maria Portela grita ao derrubar a marroquina Assmaa (Foto: Marcio Rodrigues/MPIX/CBJ)

DESCLASSIFICAÇÃO NAS OITAVAS 
Maria Portela judô (Foto: Marcio Rodrigues/MPIX/CBJ)Maria Portela é desclassificada após cometer uma irregularidade (Foto: Marcio Rodrigues/MPIX/CBJ)
O duelo pelas oitavas de final era uma pedreira para Portela. A austríaca Graf tomou a iniciativa da luta e partiu para cima da brasileira. Mais alta que a judoca da casa, a europeia dominava a pegada com facilidade, obrigando mais uma vez uma maior movimentação de Maria.
O tempo foi passando e nada de entrada de golpe. Assim, as duas acabaram sendo punidas por falta de combatividade. As lutas femininas tem quatro minutos, um a menos do que as dos homens. O caminho para o golden score é mais rápido. E ele foi percorrido.
No segundo desempate de Maria Portela na Rio 2016, a gaúcha demonstrou estar com muito mais vontade de vencer. Era tanto ímpeto que ela acabou cometendo uma irregularidade. Mesmo sem pegar no quimono da rival, uma obrigação dos lutadores para entrar golpe, a peso-médio tentou projetar Graf e acabou sendo desclassificada.
do globo.com
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