Vivendo em condições precárias e com atrasos salariais, atletas ameaçam não jogar neste domingo, o que resultaria em segundo W.O. e eliminação do campeonato

Um hotel e um ônibus são as exigências dos jogadores do Grêmio Barueri para que o time não seja eliminado da terceira divisão do Campeonato Paulista. Neste domingo, a equipe jogará contra a Catanduvense, em Catanduva, cidade localizada a quase 400 km de Barueri. Sem dinheiro, o clube tem grande dificuldade em bancar hospedagem, alimentação e transporte dos atletas. A situação é precária: o alojamento está em péssimas condições e os jogadores relataram que atuaram sem estarem alimentados em alguns jogos. Apesar dos problemas e das dívidas salariais, o elenco se reuniu e decidiu dar uma chance aos novos gestores do Barueri, que assumiram o clube na última semana.
Concentração do Barueri (Foto: SAPESP)Jogadores do Barueri estão vivendo em sítio com teias de aranha, goteira e falta de alimentos (Foto: Sapesp)
Nos últimos jogos, o elenco do Grêmio Barueri viajou apenas no dia da partida, em uma apertada van. Já que a distância para Catanduva é longa e o jogo será às 10h de domingo, os atletas exigem viajar de ônibus no sábado à tarde e dormir na cidade. A diretoria do Grêmio Barueri garantiu aos jogadores que irá cumprir o pedido, ou o elenco não viaja e a Catanduvense vence o jogo sem entrar em campo. 
Como o Grêmio Barueri já acumula um W.O. no torneio, por não ter inscrito os jogadores a tempo para a primeira rodada, o clube que já disputou duas edições do Brasileirão será eliminado se for concretizada a desistência. De acordo com o regulamento da Federação Paulista de Futebol (FPF), as equipes não podem ter mais de um W.O. no campeonato.
Aranha Barueri (Foto: SAPESP)Há teias de aranha no sítio onde vivem os jogadores do Grêmio Barueri (Foto: Sapesp)
Os problemas com o transporte são o de menos dentro do Grêmio Barueri. Os jogadores estão se hospedando em um sítio cedido pela prefeitura de Cotia. A situação do local é precária. Os atletas relatam que há poças de água na cozinha, banheiros com goteira, chuveiros frios, teias de aranha e forte cheiro de esgoto no recinto. 
Outra reclamação dos jogadores é a falta de alimentos. Houve jogos nesta Série A3 em que os atletas não comeram antes de atuar. Na última semana, membros do Sindicatos dos Atletas de São Paulo (Sapesp) tiveram que entregar comida ao elenco. 
– Estamos no limite. A gente exige algumas coisas para esta rodada de domingo. Se não pagarem concentração, ninguém vai querer jogar sem dormir. Se eles conseguirem hotel, acho que é até um conceito para a gente continuar jogando. A nova gestão prometeu arrumar tudo até o dia 10, 11 de março. A situação está bem precária, sobre questão de higiene e estrutura – disse o meia Renan Assumpção, um dos líderes do elenco.
As primeiras atitudes da nova gestão estão sendo tomadas. Jogadores que não estavam registrados na Série A3 do Paulista foram demitidos. Na última rodada, o Grêmio Barueri quase perdeu de W.O. para o Guaratinguetá. Ao chegar na Arena Barueri, o elenco do time da casa foi impedido de entrar no estádio, já que o clube estava devendo o aluguel do local. A Prefeitura de Barueri não aceita mais que o clube jogue de graça no estádio. Os novos gestores decidiram que colocarão os mandos de jogo em estádios onde o aluguel é mais barato. Esse dinheiro será usado para pagar os salários atrasados, que já chegam aos dois meses.
– Atraso salarial é o que menos importa. Eles não têm o que comer. Nenhum atleta tem contrato, foram todos retidos. Nenhum atleta passou por exame médico. Os meninos vão a pé até o centro de treinamento ou vão de carro, com sete, oito dentro – disse o advogado Filipe Rino, do Sapesp.
Cozinha Barueri (Foto: SAPESP)Apesar da sujeira, jogadores celebraram que agora há comida na cozinha do alojamento (Foto: Sapesp)


Dentro de campo, a situação também é ruim. O Grêmio Barueri perdeu os oito jogos que disputou. Foram 31 gols sofridos e apenas três marcados. A maior derrota foi de 8 a 0, para o Grêmio Osasco, na quinta rodada da Série A3.
– Contra o Grêmio Osasco, o time saiu sem almoço. O pessoal até aguenta um pouquinho, mas depois cansa. O adversário tinha suplemento e academia. Quem assistiu ao jogo contra o Guaratinguetá viu que o nosso time tem qualidade técnica e está melhorando, mas a parte física está bem baixa. Apesar de termos zero ponto, três vitórias nos tiram lá de baixo – completa Renan, esperançoso. 
*Colaborou sob supervisão de Mateus Benato
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